BAIXA QUILOMETRAGEM: SIM OU NÃO?

A valorização da baixa quilometragem invadiu o mundo dos automóveis antigos e clássicos de uma forma obsessiva. Actualmente, há quem pague até 50% ou 60% acima da cotação de um dado modelo, só para assegurar um exemplar com pouca quilometragem. Faz sentido?

Obviamente, esta é uma daquelas respostas para as quais não há uma resposta absoluta pois, antes de mais, é uma questão pessoal. Depende muito do objectivo que se tem para um determinado automóvel. Se é apenas um investimento ou se o prazer de posse passa especialmente por apreciar e cuidar do automóvel e não tanto por guiá-lo, então talvez faça sentido. Especialmente porque a baixa quilometragem é, normalmente, uma garantia da genuinidade de todos os componentes, pintura, etc.

Por oposição, se o seu prazer advém sobretudo da condução, seja em curtas e frequentes viagens ou em dois ou três grandes passeios por ano, então, vale a pena pensar melhor. Neste caso, pode ser um desperdício pagar um valor extra por um veículo que, por falta de uso, pode até estar menos preparado para se aventurar numa viagem. Como se costuma dizer, os fluidos estão para um automóvel como o sangue para os humanos: só o seu repetido bombeamento permite garantir que todos os orgãos se mantêm saudáveis.

Não podemos negar o fascínio de encontrar um veículo antigo que parece novo, é sedutor, mas mais do que tudo, devemos pensar no que é adequado para cada um e, na maior parte dos casos, usar e desfrutar do clássico fora de portas, acaba por ser o aspecto mais gratificante de ser proprietário.