MERCADO DE CLÁSSICOS ADAPTOU-SE EM 2020.

O ano de 2020 foi um choque para todo o tecido empresarial a uma escala global, com os bens supérfluos a serem particularmente afectados, bem como aqueles que funcionam como aplicações financeiras (que foi o caso dos automóveis antigos ao longo da última década).

Depois de um mês de Janeiro alheio à prenunciada pandemia, Fevereiro, mas em particular Março e Abril, fizeram descer um clima de algum pânico no negócio dos automóveis antigos, com inúmeros eventos e leilões cancelados que ameaçaram deitar o ano por terra.

Contudo, o saldo final do ano de 2020, em termos absolutos, não foi tão negativo como se esperava. Para tirar conclusões, a seguradora Hagerty estudou em particular o mercado britânico, importante barómetro do sector.

Em 53 leilões realizados no Reino Unido ao longo de 2020 (até 1 de Dezembro), somou-se um total de vendas na ordem dos 144.6 milhões de libras, apenas menos 20.000 libras do que no mesmo ponto do ano anterior. Um valor parcialmente explicado por um maior número de vendas efectivadas, num total de 70%, por oposição aos 64% de 2019. Um valor notável se tivermos em conta que nos leilões de Março se chegou a registar vendas efectivas na ordem dos 19%.

Contudo, a viragem deu-se na Primavera, precisamente no final do primeiro confinamento, quando as leiloeiras se voltaram para o online e sites de leilões virtuais, como o Auto Trader, viram as pesquisas e as publicações de veículos para leilão a duplicar.

Para que isto fosse possível, foi necessária uma adaptação por parte destas empresas, criando mecanismos que tornassem possível visitas para examinar as viaturas em segurança, antes ou depois da venda, sem perder a oportunidade de “segurar” o negócio.

Apesar de tudo, os responsáveis por estas organizações admitem que o saldo de 2021 é ainda uma incógnita, mesmo que a pandemia se mostre controlada, uma vez que os efeitos económicos podem agravar-se.