OS CLÁSSICOS FEITOS DE NOVO

Diz muito da importância e atracção dos automóveis antigos, o facto de boa parte dos grandes construtores se dedicar a produzir de novo, modelos de épocas áureas como os anos 50 e 60 e até mesmo pré-guerra.

É possível comparar esta tendência àquilo que Carrol Shelby fez com os seus próprios modelos, retomando a sua produção no final dos anos 80, com um número de chassis sequencial aos modelos originais. Esta foi, no fundo, uma forma de dar resposta a uma oferta superior à procura e de permitir adquirir um Cobra semelhante ao original por um valor inferior e com “zero” quilómetros.

Contudo, o fenómeno mais recente dos “continuation series” é algo bastante diferente, na medida em que os valores de venda são muito elevados.

O mais recente modelo a juntar-se à lista é o mítico Jaguar C-type, o modelo com que a marca conquistou Le Mans e muitas outras provas. O valor médio de um dos 43 exemplares construídos entre 1951 e 1953, é de perto de três milhões de euros, podendo ir até próximo dos seis, dependendo do historial do chassis em causa.

Por comparação, os cerca de 1,5 milhões que é preciso pagar por um dos oito novos C-type que serão produzidos em 2021, parecem uma proposta irrecusável. Há, no entanto, que ter em conta que são exemplares sem qualquer história e que, na maior dos casos, assim permanecerão.

O que a experiência diz é que estes exemplares de “continuação”, mantém o seu valor de mercado, começando progressivamente a subir ao fim de alguns anos.

Mas será que estas séries são despropositadas e apenas uma forma de fazer dinheiro? A maior parte dos especialistas considera que a criação de novas séries muito limitadas não afecta negativamente o valor dos antigos e, pelo contrário, atrai a atenção do público para o modelo.

A outra razão que torna aceitável estas novas séries é o facto de quase todas elas terem uma justificação histórica. Serve de exemplo o caso famoso do Jaguar XKSS, modelo do qual a marca planeou construir 25 exemplares em 1957. Contudo, após a construção de 16 exemplares, deu-se o célebre incêndio da fábrica de Coventry que levou à destruição dos chassis D-type que serviriam de base aos restantes nove. Assim, em 2016 a Jaguar produziu apenas nove exemplares “continuation”, usando precisamente os números de chassis não atribuídos. Uma forma de legitimar estes modelos e limitar a produção a números muito reduzidos.

A lista de modelos a ser alvo destes “renascimentos” é já extensa, incluindo o Aston Martin DB4 GT Zagato, o Bentley “Blower”, os Jaguar XKSS, E-Type Lighweight, D-type e C-Type, entre outros.