70 ANOS DO MOTOR AUSTIN SÉRIE A

É um dos motores mais famosos e com mais longevidade da história do automóvel. É também um dos mais versáteis, tendo sido aplicado a uma diversidade de diferentes veículos.

Simples e robusto, é um quatro cilindros em linha, com válvulas à cabeça e árvore de cames lateral, com curso longo na maioria da versões. O bloco e cabeça são em aço, a cambota tem três apoios.
Foi usado pela primeira vez no Austin A30 em 1953 com apenas 803cc e 28cv, primeiro com carburador Zenith e mais tarde o clássico SU.

Em 1956 equipava também o Morris Minor. No momento em que foi lançado o A35, também o Minor recebeu uma nova versão do motor com 948cc e 34cv. Por esta altura, a BMC experimentou criar uma versão de dois cilindros do Série A, destinado aos modelos mais pequenos. Chegou mesmo a ser testado numa A35 Van, mas a BMC acabaria por desistir da ideia.

Em 1958, pela primeira vez, o Série A teve uma função desportiva: equipar o Austin-Healey Sprite. Agora equipado com dois SU, atingia os 43cv, o que associado ao baixo peso do “Frogeye”, chegava para divertir o condutor.
Ao mesmo tempo, a Formula Junior estava a dar os primeiros passos e a Cooper começou a competir com o Type 52 e Type 56, com bastante sucesso.

Naturalmente, o momento alto da história deste motor dá-se com a chegada o Mini em 1959. Pela primeira vez, este motor era montado transversalmente, o que implicou a criação de uma nova caixa de velocidades colocada por baixo do motor e partilhando o cárter. As primeiras unidades de teste montaram o motor 948cc mas, pasme-se, foi considerado demasiado potente, pelo que se optou pela criação da versão de 848cc e 34cv.
Por esta altura foi também decidido girar o motor em 180 graus devido a um problema de formação de gelo no carburador. Para tal foi preciso instalar um carreto inversor, que explica o característico som agudo dos Mini.

Em 1962, com o lançamento dos Riley Elf e Wolseley Hornet, a BMC alargou o bloco para atingir os 998cc de capacidade. Isso abriu horizontes aos preparadores e o próprio Mini receberia esta versão do Série A no famoso Cooper, com carburadores SU e 55cv.
Em 1963 o motor volta a crescer para 1098cc para mover o Austin A40 Farina e derivados e nasce o Cooper S na versão 1071cc, com mais diâmetro e menos curso, favorecendo os altos regimes e atingindo os 69cv. Com o mesmo diâmetro de 70,6mm, a BMC criaria ainda duas versões adicionais: já conhecido 1275cc de 76cv e ainda o 970cc, pensado exclusivamente para competir na categoria até 1000cc.

Em competição, os preparadores conseguiam extrair 70cv do motor 998cc e mais de 100cv do 1275.

O motor Série A teve múltiplas aplicações, tendo equipado modelos como os Lotus Seven e os Mini Marcos, mas o mais surpreendente é o facto de ter existido uma versão diesel de 950cc e 15cv, destinada a um tractor agrícola chamado… Mini Tractor.

O Série A foi usado ainda nos Austin 1300 e Allegro, bem como no Morris Marina e ganhou uma vida inesperada quando a British Leyland decidiu aplicá-lo no Metro, para evitar os custos de desenvolvimento de um novo motor. Para tal, o bloco foi reforçado, recebeu nova cambota, nova árvore de cames e tanto a admissão como o escape foram redesenhados. O 998cc passou a debitar 43cv, e o 1275cc debitava 61cv na versão Austin e 72cv na versão MG. A MG levaria o motor ainda mais longe ao criar o MG Metro Turbo de 93cv.

Quando o Metro foi substituído pelo Rover 114,  chegou com este o motor Rover Série K. Parecia que a carreira do Série A tinha finalmente terminado, mas o relançamento do Mini como Rover Mini Cooper, veio prolongar a sua vida uma vez mais, recebendo catalisador e injecção electrónica, sendo possível desfrutar de 60cv, ou 78cv com o kit John Cooper Garages.

O último Mini saiu de Longbridge em Outubro de 2000, quando o motor estava prestes a completar 50 anos de carreira.