A AERODINÂMICA AUTOMÓVEL NO PRÉ-GUERRA

Um dos grandes saltos evolutivos da história do automóvel foi a aplicação dos princípios aerodinâmicos.

Na fase pré-guerra, eram muitos os construtores que menosprezavam a importância deste facto no funcionamento do automóvel. Contudo, progressivamente foram-se rendendo às evidências, já que a aerodinâmica não interfere somente na performance do automóvel, mas também no aumento da autonomia, da estabilidade direccional, no ruído – e logo no conforto –  na refrigeração, no desgaste da mecânica, etc.

Os primeiros avanços no capítulo da aerodinâmica parecem hoje ingénuas, como é o caso do famoso “Jamais Contente” de 1899, cujo formato era, tão simplesmente, o de uma bala. Era integralmente produzida em materiais leves como o tungsténio, magnésio e alumínio, pela famos Rotschild. Contudo, tanto o rudimentar chassis exposto, como o facto de todo o tronco do piloto ir exposto, em nada ajudavam à capacidade de penetração. Dito isto, movido por dois motores eléctricos de 25Kw, o Jamais Contente foi capaz de se tornar o primeiro automóvel do mundo a superar os 100km/h (105,882km/h).

Um dos marcos no estudo aerodinâmico do período pré-guerra foi o A.L.F.A 40/60 H.P. Aerodinamica. Um exemplar único, encomendado pelo Conde Marco Ricotti à Carrozzeria Castagna, tinha um motoro de seis litros e atingiu os 139km/h, um número notável para um veículo de passageiros em 1914.

Outro marco do pré-guerra no que diz respeito à aerodinâmica, e um dos primeiro produzidos em pequena série, foi o Tatra 77 de 1937. Movido por um motor de oito cilindros em V  arrefecido a ar e montado em posição traseira, o 77 tinha 75cv e um incrível coeficiente aerodinâmico de 0,212, o que lhe permitia atingir os 150km/h.