50 ANOS DO MORRIS MARINA

Em 1968, a British Leyland formulou um plano ambicioso: criar um recordista de vendas em apenas 18 meses e com o mínimo de complexidade tecnológica. Chamou-lhe Marina.

Quando em 1968 se deu a fusão entre esta e a Leyland, foram delineadas novas estratégias comerciais, para o novo gigante industrial. As vendas em massa eram a prioridade absoluta. Os Austin/Morris 1100 e 1300 continuavam a ter muita procura e, juntamente com o Mini, dominavam o mercado dos clientes particulares. Por isso, a nova administração decidiu adiar a sua substituição e direccionar esforços noutra direcção.

Havia ainda um segmento de mercado em que a presença da recém-formada British Leyland era pouco significativa: o das frotas de empresa. 
Para os gestores de frota, a agilidade e espaço dos modelos compactos não eram argumentos de força. Estes clientes valorizavam sobretudo a simplicidade técnica, os baixos custos de manutenção e também a imagem projectada pelos carros. Assim, os modelos de maiores dimensões e de aspecto mais robusto eram os mais procurados. Neste segmento, o Ford Cortina MKII era o rei absoluto, secundado pelo Vauxhall Viva.

O plano parecia simples de concretizar, não fosse por dois constrangimentos fundamentais: o novo modelo teria de ter muito baixos custos de produção para garantir a desejada margem e teria de estar pronto para ser comercializado em menos de dois anos. Estas premissas obrigariam os engenheiros a recorrer a componentes já existentes no portefólio da Leyland.

Por isso, foi usada uma versão actualizada e aumentada do chassis do vetusto Morris Minor. A plataforma foi aumentada em cerca de 10cm, mas o essencial foi mantido, incluindo a arcaica suspensão traseira de braço e alavanca. 

A transmissão seria uma versão melhorada do igualmente ultrapassado Triumph Vitesse. O motor era o confiável série A de 1275cc, na mesma configuração usada pelo MG Midget, com ligeiras alterações no cárter e colectores. 

Para o desenho da carroçaria, foram apresentadas propostas dos ateliers Pininfarina e Michelotto, que concorreram com os desenhos criados internamente por Roy Haynes, estilista responsável pelo Cortina MKII, contratado pela BMC em 1967.

As vendas chegaram em massa ultrapassando rapidamente a capacidade de resposta da marca, a braços com greves consecutivas e problemas diversos nas ferramentas de produção antigas, a acusar desgaste. Em breve começariam a fazer-se sentir os problemas de controlo de qualidade que afectavam mesmo a fiabilidade.

No fim de contas, o Marina revelou-se uma jogada estratégica mal calculada, já que nem o almejado sucesso comercial bastou para beneficiar a empresa. A imagem e as finanças da British Leyland sairiam deste episódio seriamente comprometidas, provocando uma sucessão de maus acontecimentos até à inevitável dissolução.

Para a história, fica o case-study. Uma dura lição sobre má gestão e fraca visão de marketing que continua a servir de exemplo a toda a indústria.