PRÉ CLÁSSICO: PEUGEOT 106 RALLYE E XSI

Depois do sucesso arrebatador dos 205 GTI e Rallye, os 106 desportivos tinham uma tarefa difícil pela frente, mas acabaram por conquistar várias gerações de entusiastas.

A sucessão ao Peugeot 205 não foi propriamente linear. Se tanto o conceito como a sequência de números apontam o 206 como seu substituto, o certo é que no hiato de mais de dois anos entre ambos os modelos, o 106 foi o único modelo disponibilizado pela Peugeot no segmento dos utilitários.

Isso significou também que a sucessão ao mítico 205 GTI teria de ser assegurada pelo mais pequeno e modesto 106, inicialmente na versão XSI, de apenas 1360cc e 100cv (95cv nas unidades catalisadas comercializadas a partir de 93). Para criar este modelo, a Peugeot pouco mais fez do que transformar o AX GTI, já que o chassis é essencialmente o mesmo, assim como a mecânica (motor TU3 FJ2).

Pouco depois, surgiu o 106 Rallye. Espiritualmente, seria o sucessor do radical 205 Rallye e, na verdade, herdava o mesmo motor, totalmente em alumínio, abandonando, no entanto, os carismáticos, mas anacrónicos, carburadores. Com o motor TU2 J2 de apenas 1294cc, o Rallye superava em 5cv a potência do XSI e pesava menos 50kg. Apesar do menor binário, o Rallye era melhor em quase todas as prestações.

Com o XSI a ser fortemente penalizado pelo nosso sistema fiscal, a diferença entre ambos era de mais de 700 contos. O Rallye custava uns meros 2145 contos e o misto entre um preço apelativo e o look radical, fizeram dele o “herói da pequenada”.

Em 1995 tudo mudava, quando importador conseguiu convencer a casa-mãe a autorizar a produção do XSI com a mecânica do Rallye, de modo a contornar o sistema fiscal. O Rallye e o XSI eram agora gémeos falsos, diferenciados essencialmente pelo nível de equipamento e, logo, pelo peso. A diferença de preço passava a ser de apenas 270 contos, o que fazia pender a balança para o modelo mais refinado, que contava com bancos em pele, faróis de nevoeiro, tecto de abrir e jantes de liga.

Com o XSI a canibalizar o Rallye e com a aproximação da nova geração do 106 – que chegaria em Julho de 1996 – estava a tornar-se cada vez mais difícil escoar as unidades restantes do Rallye. É então que a Peugeot Portugal tem um golpe de génio. Aproveitando a sua longa ligação à competição e entrando no espírito dos jovens que gostavam de “apimentar” os seus Rallye com extras aftermarket, a empresa recorreu ao catálogo de extras da Peugeot-Talbot Sport (PTS), para criar 50 unidades muito especiais e exclusivamente nacionais do 106, chamadas Rallye R2.

Com o R2, terminou em grande a carreira nacional da primeira geração do 106. Com a chegada do S2, no ano seguinte, o leque de modelos desportivos crescia. Uma vez mais, o XSI e o Rallye, partilhariam o mesmo motor, desta feita o 1.6 de oito válvulas e 103cv com bloco em aço e cabeça em alumínio (TU5J2). O mesmo bloco serviria também para a versão com cabeça de 16 válvulas e 120cv que equiparia o 106 GTI, o mais potente de todos os 106 vendidos em Portugal.