60 ANOS DO BMW ‘NEUE KLASSE’

Há 60 anos, a BMW tinha um problema em mãos. A solução, foi uma das séries de modelos mais aclamadas de todos os tempos e que definiria o futuro e a imagem da marca.

É sabido que, no período pós-guerra, a BMW tardou a encontrar um rumo. O mercado dos carros de luxo era demasiado residual para sustentar a empresa, numa economia onde tinha deixado de haver espaço para o supérfluo. A famosa solução de recurso foi o lançamento de micro-carros, com o objectivo de dar ao cidadão comum meios próprios e acessíveis de mobilidade. Entrou então em cena o famoso negócio com a Iso para o Isetta, que evoluiria para uma versão mais competente e espaçosa a que se chamou BMW 600. Com o mesmo motor boxer derivado da moto R/65 nasceria o BMW 700, um produto mais sério, com um design mais apelativo.

Estes pequenos carros permitiram à BMW sobreviver, mas não progredir. A marca estava claramente sem um rumo, mantendo em paralelo os pequenos 700 e os modelos luxuosos do passado. A concorrência, por seu lado, mostrava solidez e estratégia, como era o caso da Mercedes com a sua gama baseada no “Ponton”.

É então que entram em cena os meios-irmãos Quandt. Herbert e Harald (enteado de Joseph Goebbels) eram já accionistas da empresa quando em Dezembro de 1959, foi realizada uma assembleia geral decisiva para o futuro da marca bávara. Em cima da mesa estava a possibilidade de vender a BMW a um concorrente a fim de evitar maiores perdas. Os dois herdeiros do então já imenso império industrial e farmacêutico, reforçaram a sua posição no capital da empresa e empreenderam um plano de total reforma da marca.

O plano era arrojado já que passava por cancelar todos os projectos em curso, bem como todos os modelos em oferta e começar com algo totalmente novo. Para esta missão determinante foram convocados Fritz Fiedler como gestor do projecto, Alex von Falkenhausen como responsável pelo desenvolvimento que viria a ser o mítico motor M10, Eberhard Wolff como desenhador do chassis e o famoso Wilhelm Hofmeister como estilista da carroçaria. Assim, em 1961 a “Neue Klasse” era apresentada em Frankfurt.

Com os 1500, 1600, 1800 e 2000, as vendas da BMW começaram a consolidar-se. Este era um carro moderno, com níveis de comportamento, economia e habitabilidade que não tinham rival, ainda que a estética não fosse a mais consensual. Então, em 1966 e no âmbito da comemoração dos 60 anos da marca, é apresentado o 1600-2. Este modelo de duas portas usava a mesma plataforma, mas encurtada em 50mm. Além de de mais leve e ágil, o novo BMW tinha uma aparência muito mais moderna e desportiva que foi recebida com grande entusiasmo pelo mercado e pela imprensa.

O 1600-2 tinha 1573cc e 75cv. As ambições da marca e a procura do público mais jovem exigiam o lançamento de versões mais potentes. Em 1967 surge o 1600-2 Ti com dois carburadores duplos e 105cv e em 1968 seria lançado o 2002, com 1990cc e 100cv. A performance era agora, novamente, um argumento da marca, especialmente na versão 2002 Ti, com dois carburadores duplos e 120cv.

Em 1971 o modelo mais pequeno passa a designar-se 1602, altura em que surgem várias outras novidades na gama: a carroçaria Touring, de três portas, a carroçaria cabriolet Baur, que substituía o cabrio de 1967 e o 2002 Tii que estreava a injecção mecânica Kugelfisher e debitava 130cv. O nível de performance voltaria a conhecer novo salto em 1973 com o lançamento do 2002 Turbo, de 170cv.

No total foram produzidas mais de 142.000 unidades, até 1977, 14.667 delas em Portugal, pela empresa Baptista Russo, em Vendas novas.