PRÉ-CLÁSSICO: BMW Z3

Foi com grande surpresa que, em 1995, os entusiastas receberam a notícia de um BMW roadster de produção em massa. Uma novidade total para a marca, que apenas tinha tido modelos produzidos em séries muito curtas, como foi o caso do 328, 507 e do Z1.

Para que o Z3 entrasse directamente no imaginário do público, a BMW fez um fortíssimo investimento no cinema, tornando este modelo num Bond Car, conduzido por Pierce Brosnan.

Em toda a história do herói britânico, nunca o seu automóvel tinha sido tão modesto e acessível. Talvez por isso mesmo, o investimento da BMW foi amplamente compensado. Não só a notoriedade da marca subiu em todos os mercados, como o Z3 passou a ser o roadster mais desejado, por homens e mulheres de todas as idades.

O ressurgimento dos roadster teve como ignição o Mazda MX-5 NA, de 1989. O sucesso inesperado daquele conceito tão clássico de automóvel, levou todas as marcas a correr para os estiradores, exercitando ao máximo a criatividade.

Criar um roadster de raíz como fez a Mazda, não estava dentro das possibilidades de algumas marcas. Para a BMW, esse obstáculo não existia, já que as suas plataformas eram então, todas elas, de transmissão clássica. De todas, a mais adequada a servir de base a um roadster, era o Série 3 Compact. Não só pela distância entre eixos mais curta, mas também porque em vez empregar do complexo e volumoso sistema Multi-link na suspensão traseira, mantinha os simples mas funcionais braços oscilantes, sistema herdado do E30. Esta era uma solução menos eficaz, mas que condicionava menos o volume exterior da carroçaria.

Com uma plataforma tão versátil como a do Série 3, bastava à BMW ir à prateleira dos motores e escolher as opções mais interessantes. Até 1997 o Z3 apenas contou com motorizações de quatro cilindros: o 1.8 de 114cv (117cv a partir de 99) do 318, e o 1.9 de 138cv derivado do 318is.

Mais tarde chegariam à gama os motores de seis cilindros, que apesar de serem uma opção mais nobre, nunca tiveram grande expressão comercial no nosso mercado.


Joji Nagashima foi o autor das exuberantes linhas do roadster da BMW. Nagashima foi também o responsável pelo desenho exterior do E36 e E90, assim como do E39.

Apesar de os outros desenhos anteriores de Nagashima serem bastante consensuais (Série 3 E36, Série 5 E39), a realização de um roadster BMW não seria tarefa fácil, já que há muitos anos que a marca não se aventurava neste segmento. Nagashima aproveitou, por isso, para romper com a linguagem estética mais convencional e criar um modelo de influências clássicas, onde as linhas curvas seriam a nota dominante. O formato com capot longo e mergulhante e traseira curta, assim como as grelhas laterais, são notas estilísticas subtilmente inspiradas no BMW 507, de 1956. 

O BMW Z3 tinha ainda outros argumentos relevantes que faltavam à maioria dos concorrentes: para começar, uma bagageira considerável, que facilitava as saídas de fim-de-semana. No entanto, o ponto em que a BMW claramente se superiorizou a toda a concorrência, foi na ergonomia. Ao contrário de outros modelos do género, o Z3 oferece espaço mais do que suficiente para as pernas, sem que os joelhos embatam no volante ou na consola central, o que possibilita a condução a pessoas de todas as estaturas, ao contrário do que acontece, por exemplo, num MX-5.

UM PRÉ CLÁSSICO QUE PODE CERTIFICAR

O BMW Z3 enquadra-se no intervalo de idades dos modelos que já podem obter a certificação de Pré-Clássico do CPAA

Um dos objectivos primordiais da actividade do CPAA, é proteger a actividade em torno dos automóveis antigos e assegurar a sua continuidade futura. Para tal, é preciso pensar nas novas gerações e naqueles que são, na sua perspectiva, os automóveis antigos.

Os automóveis com idades compreendidas entre os 20 e os 29 anos, podem não cumprir os critérios para a atribuição do estatuto de veículo histórico, nem para beneficiar todos os seus privilégios e protecção, mas em muitos casos são já encarados pelos seus proprietários com o mesmo espírito: o de recuperar, manter e usar como um coleccionável e um testemunho de uma época que já passou.

O CPAA está de olhos postos no futuro e, por isso, iniciou a Certificação de Viaturas Pré-Clássicas. Além de ser um incentivo à preservação, este é um serviço que visa registar e distinguir veículos entre os 20 e os 29 anos de idade, que cumprem os parâmetros de originalidade e conservação também aplicados aos Veículos Históricos e certificar o seu futuro interesse histórico.

A Certificação dos Veículos Pré-Clássicos tem o custo de 50€ para sócios e 75€ para não-sócios e o Certificado tem a validade de 4 anos.

No caso do veículo Pré-Clássico completar os 30 anos antes do final da validade do Certificado, o CPAA oferece a Certificação de Veículo de Interesse Histórico.

Para agendar a certificação, basta preencher o formulário e aguardar o contacto dos serviços do CPAA.