50 ANOS DO FIAT 127

A família de modelos de motor traseiro da Fiat foi responsável por um enorme crescimento da empresa. Os 500, 600 e 850, nas suas inúmeras derivações registaram um sucesso acima de todas as expectativas, e continuavam a vender bem, mesmo depois do formato ficar algo ultrapassado. Só mesmo o sucesso sem precedentes do Mini, é que foi capaz de empurrar a Fiat para um novo formato.

Depois de testar o conceito com o Primula, a mesma mecânica serviu de base ao 128, que foi um sucesso imediato. Ficava a faltar apenas um modelo compacto com base nos mesmos princípios técnicos, para ombrear no mercado com o Mini.

Com uma distância entre eixos encurtada em mais de 20cm face ao 128, com quase menos 30cm de comprimento total, o 127 tinha um formato perfeito para a cidade, sem comprometer a habitabilidade.

Um ano após o lançamento, recebe a terceira porta, o que aumentou sobremaneira a versatilidade e, nesse mesmo ano, arrecadou o título de Carro Europeu do Ano, dois anos após o 128 ter conseguido o mesmo feito.

O sucesso comercial foi imediato, tendo sido o modelo mais vendido da Europa, por dois anos consecutivos.

O 127 usava a mesma plataforma do 128 mas, em favor da habitabilidade, apenas manteria o sistema McPherson na dianteira, recorrendo à mais rudimentar mola transversal na traseira. O motor de 903cc que, na essência, era semelhante ao dos 850, oferecia 47cv.

Ao longo da primeira série, o 127 permaneceu praticamente sem modificações, mas os rivais foram surgindo. Então, em 1977 tornava-se imperioso o rejuvenescimento do modelo, que aconteceu com profundo face-lift, que incluiu janelas maiores atrás (aproveitando moldes da derivação brasileira, o 147) e tampa da mala mais longa, melhorando o acesso de carga. Nesta segunda série passava a estar disponível em alguns mercados o motor de 1049cc e 50cv, assim como um motor a gasóleo de 1300cc e 45cv, então o mais pequeno diesel de um automóvel.

A versão mais desejável seria o Sport. Com base no motor 1049cc, com maiores válvulas, escape desenhado pela Abarth e um Weber duplo, debitava 70cv. Esteticamente era chamativo, estando disponível apenas em preto com uma lista laranja, ou vice-versa. Portugal ficou fora dos mercados que receberam esta versão mas, para compensar, criou uma versão exclusivamente nacional do modelo de 903cc, chamada 127 Surf. Usava o mesmo esquema de cores do Sport, um volante De Moura, jantes em liga leve e um interior específico, com bancos em veludo com vivos em laranja e encostos de cabeça. Mecanicamente, não tinha quaisquer modificações.

A segunda série trouxe também a diversificação no nível de equipamento, disponibilizando três versões: L identifica a versão de base, o C é o Comfort e o CL é o Comfort Lusso.

O desenvolvimento do Fiat Uno estava já numa fase final mas, à boa maneira latina, teve atrasos. Então, em 1982 o 127 entra numa nova geração, com o objectivo de manter actual por mais um ano, até à chegada do substituto definitivo. Em Portugal era vendido como 127 Super. O aspecto era muito mais moderno, com interiores actualizados, pará-choques envolventes e conjuntos ópticos maiores.

Com a chegada do Fiat Uno, a carreira do 127 terminava, mas não em definitivo. Isto porque na América Latina, era produzida uma versão exclusiva daquele mercado, chamada 147. Embora a base fosse a mesma do modelo europeu, a estética era diferente, e existia também uma motorização 1300. Aquando do final da Série III do 127, o 147 sofria um restyling que o aproximava do aspecto dos Fiat mais modernos e passava a ser exportado para alguns mercados europeus com a designação 127 Unificato.

Para a história fica sempre quem chega em primeiro, e neste caso foi o Mini. No entanto, o Fiat 127 foi o automóvel que difundiu o formato definitivo dos utilitários de tracção. Na técnica e na prática, é um dos automóveis mais influentes de sempre.