MOTO GUZZI, 100 ANOS DE CARÁCTER

São muito poucas as marcas de motos ou de automóveis que podem orgulhar-se de 100 anos de história e, sobretudo, de 100 anos de identidade vincada, sempre fiel às suas origens e tradições.

Uma Moto Guzzi de 2022 continua a ser uma moto diferente de todas as outras e esse é, seguramente, o segredo da longevidade e carisma da marca.

Foi há quase 101 anos, em 15 de Março de 1921, que a empresa” “Società Anonima Moto Guzzi” foi constituída em Corso Aurelio Saffi, Génova. Os sócios fundadores da empresa eram o armador genovês Emanuele Vittorio Parodi, o seu filho Giorgio e o seu amigo Carlo Guzzi. Guzzi era um ex-camarada de Parodi na Força Aérea Italiana, assim como outro amigo comum, Giovanni Ravelli, também aviador, que morreu a 11 de agosto de 1919 durante um voo de teste.Foi em memória deste amigo que a águia de asas abertas se tornou o logótipo Moto Guzzi.

As primeiras motos eram denominadas G.P. (Guzzi-Parodi), mas rapidamente assumiram o nome actual.

A primeira moto da empresa foi a lendária 8 HP Normale. Seguiram-se modelos de sucesso como a Guzzi G.T. de 1928, apelidada de “Norge” para comemorar a expedição ao Círculo Polar Ártico e a Airone 250 (1939), que permaneceu mais de 15 anos como a moto de média cilindrada mais vendida em Itália.

Nesse período, a marca também obteve inúmeros sucessos em competição. A primeira foi na prestigiosa Targa Florio em 1921, que marcou o início de uma impressionante sucessão de vitórias: até à sua retirada do motociclismo em 1957, a Moto Guzzi acumulou uma coleção invejável de títulos incluindo, entre outros, vitórias no Tourist Trophy e, mais tarde, cinco títulos mundiais na categoria de 350cc. Ao todo, a Moto Guzzi venceu oito títulos mundiais, seis de construtores e 11 vitórias no Tourist Trophy.

Nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, a Guzzino 65, ao tornar-se a moto mais vendida na Europa por mais de uma década, permite reerguer a empresa. Seguiram-se as lendárias Galletto (1950) e a Lodola 175 (1956). Em 1950, a Moto Guzzi instalou um túnel de vento de última geração em Mandello del Lario, tornando-se no primeiro construtor mundial a fazê-lo. A divisão de corridas da empresa era uma equipa de mentes brilhantes, com engenheiros como Umberto Todero, Enrico Cantoni e o milanês Giulio Cesare Carcano, que em breve alcançaria um estatuto lendário ao criar o Guzzi Otto Cilindri, um motor V8 de 500cc, que permitia à moto de competição atingir os 285km/h.

No final da década de 1960, a Moto Guzzi apresentou o motor V2 a 90°, que se tornaria uma imagem de marca da Moto Guzzi. Este motor foi usado como base para modelos como a Guzzi V7, a V7 Special e mais um ícone, a Guzzi V7 Sport. O glorioso V-twin também foi produzido com variantes V35 e V50 de menor capacidade. A maior versão deste motor impulsionou a verdadeira GranTurismo – a Moto Guzzi Califórnia, que evoluiu para incluir injecção eletrónica e um sistema de travão de disco triplo. Dedicado ao mercado dos EUA, junto com as variantes Ambassador e Eldorado, a California ostentava a clássica cilindrada de 850cc, uma cilindrada que desde então foi redescoberta e trazida de volta à gama actual.

Modelos como Le Mans, Daytona, Centauro e Sport 1100 mantiveram viva a herança desportiva da marca. O estilo e o caráter inconfundíveis dessas motos foi atualizado na década de 1990 com as novas séries California, Nevada e V11 Sport.

A 30 de dezembro de 2004, a Moto Guzzi passou a fazer parte do Grupo Piaggio, o que veio trazer um novo fôlego financeiro para o desenvolvimento de novos modelos e projecção da marca.

À semelhança do que já fazia com as suas marcas tradicionais, como a Vespa, o Grupo Piaggio relançou a Guzzi para um novo patamar de popularidade, assente no seu design tradicional e na sua herança técnica, da qual o motor V2 é um elemento central.

Em 2021 a marca comemorou o seu centenário com o lançamento de uma moderna maxi-trail concorrente das BMW GS e que reúne todos os argumentos para incrementar em muito as vendas da Moto Guzzi.