É UM PÁSSARO? É UM AVIÃO? É O FIAT TURBINA.

Nos anos 40 e 50, havia um total fascínio pelos aviões e pela tecnologia aeronáutica. O motor de reacção, particular, era algo que gerava curiosidade e que parecia vindo do futuro.

Depois das primeiras aeronaves com motor de reacção terem mostrado o potencial dessa tecnologia, não tardou a que surgissem experiências para a sua aplicação na indústria automóvel.

Dos vários projectos, o mais famoso foi, talvez o do Fiat Turbina. O projecto iniciou-se em 1948, sob direcção de Vittor Belicardi.

A iniciativa partiu de Dante Giacosa e “os mitos” dizem que a administração desconhecia o projecto, o que, provavelmente, não será verdade.

Embora a Fiat já dominasse a tecnologia das turbinas, ao produzir motores Havilland para fins industriais, foi a primeira vez que desenvolveu um motor do género especificamente desenhado para aplicação em automóvel, formando mesmo uma parte estrutural do modelo.

O complexo e enorme motor usava o motor de arranque de um camião Fiat e, após uma sequência de ignição de 15 segundos o motor arrancava às 5000rpm, e estabilizava às 10.000rpm.

A potência máxima era de 300cv às 22.000rpm. Não havendo caixa de velocidades ou embraiagem, o Turbina era controlado apenas com os pedais de acelerador e travão.

Só depois do primeiro teste é que houve um maior investimento por parte da administração, o que permitiu desenvolver o resto do automóvel. A gestão dessa fase ficou a cargo de Oscar Montabone.

Giacosa desenhou um chassis tubular, com uma distância entre eixos de 2,4 metros. A suspensão foi herdada do fantástico Fiat 8V – ou “Ottovu” – com triângulos sobrepostos e barras estabilizadoras.

De cada lado do chassis havia um tanque de 50 litros de querosene e, no nariz, havia seis baterias de 6 volt.

Apesar da promessa de performances extraordinárias, os travões eram de tambor com accionamento hidráulico, e as rodas eram de raios, produzidas pela Borrani, com 16 polegadas de diâmetro e seis de largura.

O desenho da carroçaria é de Fagio Luigi Rapi, e foi desenvolvido no túnel de vento do Politecnico de Torino. Com um cx de 0,14, estabelecia um record de eficiência aerodinâmica que só seria batido mais de 30 anos depois.

Sem necessidade de luzes ou outros aspectos funcionais, o design do Turbina era futurista e marcante, tornando-se ainda mais especial graças à exuberante decoração, usando as cores da famosa “tricolor” italiana.

O interior montava duas baquets pretas e um painel de bordo com, nada menos do que 12 instrumentos. Não havia separação física entre o cockpit e o enorme motor.

Totalmente abastecido, o Turbina pesava 1270kg (só o motor pesava 260) e tinha uma velocidade estimada de 250km/h.

Em Abril de 1954 foi realizado o primeiro teste dinâmico na famosa pista existente no topo da fábrica de Lingotto e o Turbina seria mostado ao mundo pela primeira vez no Salão de Turim do mesmo ano.

Após o fecho do salão, houve uma demonstração pública do Turbina num aeroporto, com o piloto de testes da Fiat, Carlo Salamano, ao volante. Estavam presentes jornalistas e o próprio Gianni Agnelli.

O Fiat mostrou-se estável e funcional, mas, apesar do desenvolvimento posterior, a ideia acabaria ser abandonada por questões práticas, de consumo e de aquecimento, provando que a adopção daquela tecnologia para uso civíl era inviável.

Embora já tenha sido restaurado, o Turbina mantém-se num estado extraordinariamente original. É pertença da Fiat e encontra-se exposto no MAUTO – Museo Nazionale dell’Automobile in Turin.