UM TURBO DIESEL EM COMPETIÇÃO HÁ 60 ANOS

A tecnologia diesel é, no contexto actual, vista como algo de profundamente nocivo para a sociedade, pelas emissões poluentes que foram sendo geradas ao longo dos anos.

No entanto, nas últimas duas décadas do século XX, terá sido a tecnologia que mais evoluiu, com a adopção generalizadas em veículos ligeiros de uso diário e com diversas aplicações, nomeadamente no desporto automóvel, de modo a provar o potencial por comparação com os motores a gasolina.

O que é menos conhecido do público em geral é que, desde os anos 30, foram produzidos alguns automóveis de competição diesel, precisamente com o propósito de credibilizar o motor a gasóleo.

A empresa responsável por essas insólitas experiências foi a Cummins, marca reconhecida pelos motores que ainda produz para camiões ou versões diesel de modelos americanos.

Nos anos 30, a Cummins dedicava-se somente ao fabrico de motores para barcos de recreio, um negócio muito castigado pelo contexto económico da época. Então, numa tentativa de demonstrar a aplicabilidade do motor diesel em automóveis, Clessie Cummins teve a ideia de adaptar um dos seus motores de quatro cilindros, 5.9lt de capacidade e 84cv ao chassis de um Duesenberg Model A.

O modelo provou-se muito fiável e capaz de atingir a média de 162km/h em torno do circuito de Daytona. Encorajado pelo resultado do teste, Cummins inscreveu o seu carro nas 500 Milhas do mesmo ano, conseguindo um respeitável 13º lugar à geral graças ao facto de ter sido o primeiro automóvel a completar a prova sem uma única paragem para reabastecimento, cumprindo assim uma média de 138km/h.

Em 1934 a Cummins fez alinhar dois exemplares na prova de Indianápolis, saldando a participação por uma desistência e um 12º lugar.

No entanto, o momento alto da Cummins no desporto automóvel chegaria em 1952, quando a empresa inscreveu um modelo inovador, com motor de seis clindros em linha e 6570cc, alimentado por um turbo e debitando 430cv. Seria a primeira vez que um motor turbo era usado naquela prova e teria de se esperar até 1966 para voltar a aparecer um, no caso um Offenhauser.

O motor Cummins teve de ser montado na horizontal de modo a permitir um formato mais aerodinâmico da carroçaria, mas o esforço de adaptação foi largamente compensado: logo na primeira volta de qualificação, o piloto Fred Agabashian estabeleceu. record do circuito com uma média de 223km/h! Como termo de comparação, o segundo melhor tempo foi de um Ferrari V12 a 216km/h.

Na prova, o colector de admissão do turbo entupiu e ditou a desistência, mas a história estava feita e o Cummins Diesel Special fez os títulos dos jornais de todo o mundo.

Em 1999 a empresa resolveu “reanimar” a máquina e participar no Goodwood Festival of Speed, altura em que uma embraiagem defeituosa comprometeu a exibição, mas desde 2016 que o Cummins Special está de novo funcional e guardado nas instalações da empresa.