UMM COMPLETOU 45 ANOS

Foi há 45 anos que se iniciou a produção do UMM, o veículo todo-o-terreno nacional, desenvolvido com base no um projecto francês.

Espartano, mas competente e robusto, o UMM (acrónimo de União Metalo-Mecânica) provou, durante alguns anos – e sobretudo após as melhorias de engenharia e design realizadas em Portugal – ser uma opção competente enquanto veículo de trabalho e até de recreio para aqueles que desejavam um TT “puro e duro”.

O UMM foi, durante anos, a escolha preferencial do Estado para equipar Bombeiros, Forças Armadas e outros serviços públicos o que, de certa forma, gerou uma dependência da marca, que não conseguiu, ou não optou por actualizar-se e apetrechar-se para competir de igual para igual com os cada vez mais sofisticados e competitivos TT das várias marcas globais.

Ao fim de 29 anos de produção, a UMM acabaria por se extinguir, com muitos adeptos da marca a apontar o dedo ao Estado Português por ter passado a adquirir veículos estrangeiros em vez de continuar a garantir a sobrevivência da marca através dos contratos públicos.

Por lançar ficaria o UMM Alter III, aquele que teria sido, sem dúvida, o mais atraente e completo modelo da marca, mas que, ainda assim, estava já algo longe dos padrões de sofisticação dos produtos existentes no mercado na época.

 

BREVE CRONOLOGIA

Após a Guerra Bernard Cournil monta uma garagem em Aurillac, é o início da aventura Cournil (ao início, do Jeep Willys MB com um tecto)

Nos anos 50, Cournil inicia a construção de uma viatura chamada “Cournil”, Chassis monobloco com as primeiras motorizações a diesel e carroceria de Jeep Willys. Esta primeira versão utiliza grande parte das peças de um Jeep Willis, incluindo o quadro.

1960
Nova carroceria monobloco, de formas angulosas características: o Tracteur Cournil tipo JA1, equipado com o motor diesel Hotchkiss dos tractores Massey-Ferguson

1964
Novo motor diesel (Leyland) e aumento de potência.
Montagem de um diferencial autoblocante.

1968
Nascimento da British-Leyland, que propõe à Cournil um motor diesel Land Rover. Equipa cinquenta JA2. Os restantes recebem uma mecânica Ricardo, também usada em tractores da Massey-Ferguson

1970
Liquidação judiciária da empresa. O Bernard Cournil, Alain, reinicia a produção, fabricando cerca de 80 exemplares até 1977, altura em que a marca é dividida, com a licença e projectos a dares origem à UMM e à francesa Auverland.

1977
UMM compra a licença e os direitos de comercialização internacional do Cournil, à excepção de França, onde a licença pertence à Gevarm.

O UMM 4×4 Cournil surge no mercado em três versões o Tracteur, o Randonneur e o Entrepreneur.

1979
Gama fica reduzida à versão Entrepeneur.

1982
UMM -introdução do novo motor indenor XD2 2.3D.
Estreia da UMM no rali Paris-Dakar, com os três exemplares inscritos a completar a prova.

1983
UMM – Os quatro UMM inscritos (e ainda o de assistência), completam a maratona com fim no Lago Rosa

1984
São inscritos cinco UMM e todos chegam ao final, ainda que três excluídos da classificação por penalizações por excederem o tempo máximo.

1985
UMM – Lançamento do Alter 2.5, uma evolução, já com nova secção dianteira de desenho nacional. Várias melhorias de pormenor são introduzidas graças à intervenção de Carlos Galamba, engenheiro português que trazia já a experiência do envolvimento no projecto Sado 550, do Entreposto.

Ainda nesse ano, após extinção da Auverland, dá-se a criação da sucursal UMM França, na estrutura da extinta Cournil, fazendo do mercado francês o principal destino de exportação, superando mesmo os PALOP.
Para este sucesso, contribui o acordo com a Heuliez para a produção de um UMM melhorado, para uso da Polícia francesa nas colónias.

1987
Chegada do Alter Turbo, com motor 2.5 com turbo e intercooler, transmissão de cinco velocidades, travões de disco à frente e direcção assistida.

1988
Apresentação do UMM Alter II Turbo D (motor XD3-TE intercooler), com caixa de cinco velocidades.

1989
Novas carrocerias: chassis longo com capota de lona e pick-up

1990
Novas carroçarias: pick-up chassis longo e versão cabina dupla.

1992
Novo painel de instrumentos, novos painéis de portas. Novos amortecedores, novos retrovisores, faróis H4 reguláveis.

É apresentado o protótipo do UMM Alter III no Salão Internacional do Automóvel na FIL.

1994
Início da reestruturação da empresa e final da produção em série dos veículos. Continua a estar disponível mas por encomenda, algo que não é devidamente publicitado pela UMM nem referido pela imprensa.

1996
Último exemplar conhecido vendido antes do acordo da comercialização de veículos novos em França.

Portugal envia tropas para a missão de para a Bósnia, onde o UMM gera interesse de alguns exércitos europeus, que sondam a UMM sobre um potencial reinício da produção em série.

1997
Aparecimento de adaptações do UMM atmosférico com caixa automática de 3 velocidades, realizadas por Robert Hernandez com o objectivo de propôr outras alternativas.

1999
A UMM dá os primeiros passos para a produção do Alter 2000, uma versão revista, com motor Peugeot 2.1 HDI de 110cv (maior binário, menor consumo e menor ruído), novos eixos, novos travões e suspensão remodelada. Destina-se ao mercado francês e aos PALOP. A mudança mais visível é o tablier que passa a ser metálico.

2000
Regresso de UMMs novos ao mercado francês. Homologação de veículos equipados com o novo motor..

2006
Perante a escassez de encomendas, a UMM fabrica os últimos jipes e retira-se do sector automóvel definitivamente.