100 ANOS DO AUSTIN SEVEN

Poucos modelos foram tão influentes no percurso da indústria automóvel como o Austin Seven. Foi para muitas famílias a primeira oportunidade de ter um verdadeiro automóvel.

Quando Herbert Austin fundou a sua empresa de automóveis em 1905 em Longbridge, perto de Birmingham, concentrou-se na produção de veículos grandes e luxuosos. Após a Primeira Guerra Mundial, devido a dificuldades financeiras Austin Motor Company ficou sob controlo do estado.

Foi então tomada a decisão de criar um modelo económico, que apelasse à população que ainda não podia ter automóvel. Esse modelo seria o Austin Seven.Durante toda a produção, o Seven usou um chassis em A, com o motor colocado na extremidade dianteira, ou seja, a parte mais estreita. A suspensão traseira era por molas helicoidais, enquanto a dianteira era eixo rígido com uma mola semi-elíptica transversal.

O Seven permitia travar com as quatro rodas (algo não muito comum na época), mas o pedal operava apenas as rodas traseiras e o travão dianteiro era operado por alavanca.

Quando o Seven foi lançado em 1922, o motor de quatro cilindros tinha uma capacidade de 696cc. A classificação britânica para fins fiscais era de 7cv, daí a designação “Austin Seven’. No início de 1923, a capacidade foi aumentada para 747cc. Era uma unidade de válvulas lateral com bloco e cabeça em ferro fundido, e usava um sistema de refrigeração de termo-sifão em vez de uma bomba de água. A transmissão estava a cargo de uma caixa manual de três velocidades..

Quase 300.000 seriam construídos antes que a produção terminasse em 1939. O principal argumento era a facilidade condução e o baixo custo de manutenção. Foi um dos primeiros automóveis de produção em série a ter os pedais na ordem que se veio a tornar comum, com acelerador à direita e a alavanca de velocidades e travão de mão ao centro.

A publicidade da época visava motoristas mulheres, afirmando que o Seven era “O automóvel para o toque feminino”.

Ao longo da produção a Austin foi introduzindo melhorias, para manter o modelo competitivo e actual, o que resultou em mudanças estéticas mas também técnicas como os travões dos dois eixos accionados simultaneamente pelo pedal

O Austin Seven também foi fundamental na mudança da BMW para a produção de automóveis. A Fahrzeugfabrik Eisenach tinha feito um acordo com a Austin para produzir o Seven sob licença na Alemanha, usando o nome Dixi. É nessa altura, em 1928, que BMW compra a fábrica e assume os direitos de construir o modelo. Abandonou o nome Dixi e introduziu várias melhorias no design, antes de começar a construir seus próprios modelos, o que só viria acontecer em 1932.

O Seven era de tal modo versátil que foi transformado tanto para competição, como para uso militar, passando pelo transporte de mercadorias.

Em 1931 o Seven cresceu 18cm entre eixos o que beneficiou imenso a habitabilidade e o comportamento.

No final de 1934, o Seven Ruby manteve os ingredientes básicos dos Seven existentes, num design muito mais actual e prático. O Seven passava a conseguir acomodar quatro adultos e contava com caixa de quatro velocidades com sincronização em todas as relações excepto primeira.

Em 1937 nasce o Big Seven, com motor de 900cc, com 2,2 entre eixos, este modelo passava a incluir uma versão de quatro portas.

Durante a década de 1930, Alec Issigonis (criador do Mini) e George Dowson construíram o “monocoque Lightweight Special”, que usava a mecânica do Seven com suspensão independente à frente atrás, através do usso de borracha em vez de molas. Tal como viria a acontecer com o Mini que, na sua primeira versão Austin, adoptaria o nome Seven.