MAURO FORGHIERI (1935-2022)

Morreu, a 2 de Novembro, Mauro Forghieri, o mais mítico engenheiro da Scuderia Ferrari, cuja influência é inestimável.

Forghieri partilhava com o seu pai e avô uma paixão pelos automóveis e um talento para a mecânica.
Depois de ter conseguido formar-se como engenheiro mecânico, quando o seu pai trabalhava nas oficinas da Ferrari, fez um estágio em Maranello. Vacilou nas suas escolhas e considerou a aeronáutica, mas foi o próprio Enzo Ferrari que o convenceu que o melhor que tinha a fazer era ficar por ali.

Assim o fez, integrando-se no departamento de competição,sob alçada de Carlo Chiti.

Em 1961 teve papel de destaque no desenvolvimento do V6 do Ferrari 156 “Sharknose” que deu o título a Surtees em 1964.

Logo a seguir, Carlo Chiti e a sua equipa, cansados ​​da intromissão interminável de Laura Ferrari, esposa de Enzo, formaram a ATS em Bolonha, com o apoio financeiro dos industriais do Conde Giovanni Volpi e outros industriais.

“Era uma segunda-feira”, lembrou Forghieri. “A minha vida mudou completamente. Enzo Ferrari ligou-me e foi directo ao assunto. Ele disse: ‘A partir deste momento, você é responsável por todas as atividades e testes do esporte a motor.’”

Forghieri tinha, então, apenas 26 anos.

Foi também ele quem desenhou, os Ferrari 312 dos anos 70 (modelos de Fórmula 1 e de Sport), a primeira caixa de velocidades transversal e o primeiro motor turbo da Ferrari.
Debaixo da sua gestão técnica e desportiva, a Ferrari ganhou quatro títulos de pilotos (John Surtees em 1964, Niki Lauda em 1975 e 1977 e Jody Scheckter em 1979) e sete títulos de construtores (1964, 1975, 1976, 1977, 1979, 1982 e 1983).

Mais tarde, Forghieri viria a ser director técnico da Bugatti Automobili, onde desenvolveu os modelos EB110 e 112 antes de partir para fundar a Oral Engineering em Modena com Franco Antoniazzi e Sergio Lugli no início de 1995, onde trabalho em projectos, pesquisa e desenvolvimento de motores de automóveis, motos e barcos para clientes como BMW, Bugatti e Aprilia.

Inteligente e talentoso, prosperou em uma época em que ainda era possível um homem incansável e inspirador liderar o design de carros de F1, sem nunca ter medo de dar crédito a outros dentro da sua equipa.

Sem Forghieri, a saga Ferrari não seria a mesma.